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Publicado em: 15/08/2022

Padre Noé é enterrado em Irati

Missas de corpo presente foram celebradas também em PG

 
Padre Noé era viúvo. Foi padre e missionário Padre Noé era viúvo. Foi padre e missionário | Crédito: Arquivo AssCom Diocese de Ponta Grossa

A Diocese de Ponta Grossa se despediu nesta segunda-feira (15) do padre Noé Borges Vieira. O sacerdote faleceu na manhã de ontem, depois de passar 14 dias hospitalizado em função de um Acidente Vascular Cerebral. Familiares, padres e amigos feitos nesses 28 anos de sacerdócio acompanharam as exéquias realizadas na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Ponta Grossa, em duas missas de corpo presente, e, também em Irati, na Paróquia São João Batista, de onde saiu o cortejo para o sepultamento no Cemitério da Vila São João, às 10h40. 


     Padre Noé tinha 63 anos e era vigário na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. Único padre viúvo da Diocese, ordenado em 1994, o sacerdote tinha uma filha, Maria Lislaine Vieira, de 39 anos, uma neta e um bisneto, que residem na Vila São João, em Irati, onde moram também dois de seus nove irmãos. O padre estava internado desde o dia 1º no Hospital Bom Jesus. A missa na Paróquia São João Batista foi celebrada por Dom Sergio Arthur Braschi, que destacou o trabalho missionário, de sacerdote e como pai de padre Noé. “Pai não só de sua família, porque depois de viúvo ele foi ser padre, mas de todos que se aproximavam dele, inclusive eu. Ele sempre tinha uma atitude paternal, de amor, compreensão e misericórdia. Não é à toa que muita gente sente hoje a sua partida, mas ele está lá junto de Jesus, o bom pastor, para interceder por nós”, ressaltou o bispo.


     Dom Sergio lembrou que todos os sacerdotes gostavam de conviver com padre Noé. “Ele, até pelo seu jeito e porte, era um paizão, que sempre nos acolhia bem, tinha uma palavra de conforto, perdão e misericórdia, sobretudo no ministério do aconselhamento e da confissão, era muito conhecido”, acrescentou. Afeição confirmada por padre José Nilson Santos, administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Irati, e que teve padre Noé como padrinho de ordenação. “Tenho uma grande gratidão a Deus por ter o conhecido, porque ele teve uma importância muito grande na minha decisão de entrar no seminário. Tinha feito dois estágios vocacionais e estava indeciso. Era difícil voltar a estudar. Teria que terminar o fundamental, cursar o ensino médio e depois fazer as faculdades. E foi nesse momento, em 2004, quando ele assume a Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, em Tibagi, como pároco, que conversei com ele e ele contou a experiência dele”, relatou padre Nilson.


     “Ouvir sobre a viuvez e tudo o mais, e, que com 24 ou 25 anos, não lembro, começou a fazer a quinta série, terminou os estudos fundamentais e médio, fez as faculdades e estava ali, assumindo a paróquia, foi muito importante para mim. Partilhou a vida dele. E eu estava preocupado porque, naquele momento, meu pai estava desempregado, eu que estava mantendo a família. Não esqueço a fala dele: ‘se Deus está te chamando, Ele vai prover. Depois, como padre, Deus continua te instruindo, te capacitando no teu ministério, naquelas funções que irá confiar para você’. Foi decisivo para mim. Também, tinha que ter enxoval para ir para o seminário. Eu não tinha condições. Padre Noé comentou com a comunidade e ela deu tudo o que precisava e, todo o mês, as zeladoras de capelinha faziam coleta de alimentos e mandavam para o seminário porque minha família não podia colaborar financeiramente com a minha formação. Ele moveu as zeladoras”, rememorou padre Nilson, citando ainda que, como tinha saído do emprego, não recolhia mais INSS e que sua paróquia de origem – a Nossa Senhora dos Remédios – contribuiu perante a Previdência durante os 12 anos de seminário, por iniciativa dele. Esteve ainda muito próximo da família. “Foi muito sensível a tudo. Isso tudo me levou a escolhê-lo para ser meu padrinho. Como reconhecimento. Por ele ter me inspirado a dar minha resposta e a minha perseverança na formação para a vida sacerdotal. A ida dele para a missão na África me motivou a me lançar na missão. Sou muito grato à vida, missão, à vocação do padre Noé, sobretudo à amizade, à presença dele em minha vida”, enalteceu padre Nilson.


     Nas redes sociais, não só da Diocese, mas das paróquias Nossa Senhora de Guadalupe e São João Batista, eram muitas as demonstrações de carinho para com o padre Noé. Eliane Franco dizia: “amei conhecer. Guardarei no coração todo o carinho. Tive grande admiração desde os tempos de seminário. Que o céu o acolha com o mesmo carinho com que acolhia a todos. Combateu o bom combate. Termina a carreira e, no dia dos pais, volta aos braços do Pai Eterno”


Vida


     Padre Noé nasceu em 15 de janeiro de 1959, em Bituva dos Machados, em Fernandes Pinheiro, hoje município, mas, na época, distrito de Teixeira Soares. Filho de agricultores, viu durante a vida os pais servirem à Igreja. Chegou a morar e trabalhar em Curitiba, mas acabou voltando para sua comunidade, onde se casou e foi pai de um casal de filhos. “Meu filho viveu 11 dias. No ano seguinte, nasceu minha filha, hoje com 36 anos. Quando a bebê tinha 21 dias, minha esposa teve uma parada cardíaca e faleceu. Depois disso tudo veio de novo a pergunta: o que Deus quer de mim? ”, comentava em uma entrevista, em 2019.


     Aos 12 anos tinha dito ao pai que queria ser missionário. Por falta de condições financeiras, acabou adiando o sonho. “Nas Missões Populares, conversei com um frei que pediu para que eu ficasse um ano e meio em casa refletindo sobre o que realmente queria. Se fosse realmente um chamado, a vontade iria continuar. A filha tinha um ano e meio quando iniciou a caminhada vocacional. Foi ordenado sacerdote em 15 de janeiro de 1994 por Dom Murilo Krieger, na Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, em Teixeira Soares. Seu lema sacerdotal era ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para Evangelizar os Pobres’ (Lucas 3,18).


     Entre 2000 e 2001 foi para Moçambique, em missão. Pegou malária 13 vezes. Dom Sergio lembrou que, nesse tempo, padre Noé implantou a Pastoral da Criança. “Lá, nós ficamos vários dias com ele e com um padre da Diocese de Guarapuava. Tinha um verdadeiro sentimento missionário”, frisou o bispo.


 


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Publicado em: 15/08/2022

Padre Noé é enterrado em Irati

Missas de corpo presente foram celebradas também em PG

 

A Diocese de Ponta Grossa se despediu nesta segunda-feira (15) do padre Noé Borges Vieira. O sacerdote faleceu na manhã de ontem, depois de passar 14 dias hospitalizado em função de um Acidente Vascular Cerebral. Familiares, padres e amigos feitos nesses 28 anos de sacerdócio acompanharam as exéquias realizadas na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Ponta Grossa, em duas missas de corpo presente, e, também em Irati, na Paróquia São João Batista, de onde saiu o cortejo para o sepultamento no Cemitério da Vila São João, às 10h40. 


     Padre Noé tinha 63 anos e era vigário na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. Único padre viúvo da Diocese, ordenado em 1994, o sacerdote tinha uma filha, Maria Lislaine Vieira, de 39 anos, uma neta e um bisneto, que residem na Vila São João, em Irati, onde moram também dois de seus nove irmãos. O padre estava internado desde o dia 1º no Hospital Bom Jesus. A missa na Paróquia São João Batista foi celebrada por Dom Sergio Arthur Braschi, que destacou o trabalho missionário, de sacerdote e como pai de padre Noé. “Pai não só de sua família, porque depois de viúvo ele foi ser padre, mas de todos que se aproximavam dele, inclusive eu. Ele sempre tinha uma atitude paternal, de amor, compreensão e misericórdia. Não é à toa que muita gente sente hoje a sua partida, mas ele está lá junto de Jesus, o bom pastor, para interceder por nós”, ressaltou o bispo.


     Dom Sergio lembrou que todos os sacerdotes gostavam de conviver com padre Noé. “Ele, até pelo seu jeito e porte, era um paizão, que sempre nos acolhia bem, tinha uma palavra de conforto, perdão e misericórdia, sobretudo no ministério do aconselhamento e da confissão, era muito conhecido”, acrescentou. Afeição confirmada por padre José Nilson Santos, administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Irati, e que teve padre Noé como padrinho de ordenação. “Tenho uma grande gratidão a Deus por ter o conhecido, porque ele teve uma importância muito grande na minha decisão de entrar no seminário. Tinha feito dois estágios vocacionais e estava indeciso. Era difícil voltar a estudar. Teria que terminar o fundamental, cursar o ensino médio e depois fazer as faculdades. E foi nesse momento, em 2004, quando ele assume a Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, em Tibagi, como pároco, que conversei com ele e ele contou a experiência dele”, relatou padre Nilson.


     “Ouvir sobre a viuvez e tudo o mais, e, que com 24 ou 25 anos, não lembro, começou a fazer a quinta série, terminou os estudos fundamentais e médio, fez as faculdades e estava ali, assumindo a paróquia, foi muito importante para mim. Partilhou a vida dele. E eu estava preocupado porque, naquele momento, meu pai estava desempregado, eu que estava mantendo a família. Não esqueço a fala dele: ‘se Deus está te chamando, Ele vai prover. Depois, como padre, Deus continua te instruindo, te capacitando no teu ministério, naquelas funções que irá confiar para você’. Foi decisivo para mim. Também, tinha que ter enxoval para ir para o seminário. Eu não tinha condições. Padre Noé comentou com a comunidade e ela deu tudo o que precisava e, todo o mês, as zeladoras de capelinha faziam coleta de alimentos e mandavam para o seminário porque minha família não podia colaborar financeiramente com a minha formação. Ele moveu as zeladoras”, rememorou padre Nilson, citando ainda que, como tinha saído do emprego, não recolhia mais INSS e que sua paróquia de origem – a Nossa Senhora dos Remédios – contribuiu perante a Previdência durante os 12 anos de seminário, por iniciativa dele. Esteve ainda muito próximo da família. “Foi muito sensível a tudo. Isso tudo me levou a escolhê-lo para ser meu padrinho. Como reconhecimento. Por ele ter me inspirado a dar minha resposta e a minha perseverança na formação para a vida sacerdotal. A ida dele para a missão na África me motivou a me lançar na missão. Sou muito grato à vida, missão, à vocação do padre Noé, sobretudo à amizade, à presença dele em minha vida”, enalteceu padre Nilson.


     Nas redes sociais, não só da Diocese, mas das paróquias Nossa Senhora de Guadalupe e São João Batista, eram muitas as demonstrações de carinho para com o padre Noé. Eliane Franco dizia: “amei conhecer. Guardarei no coração todo o carinho. Tive grande admiração desde os tempos de seminário. Que o céu o acolha com o mesmo carinho com que acolhia a todos. Combateu o bom combate. Termina a carreira e, no dia dos pais, volta aos braços do Pai Eterno”


Vida


     Padre Noé nasceu em 15 de janeiro de 1959, em Bituva dos Machados, em Fernandes Pinheiro, hoje município, mas, na época, distrito de Teixeira Soares. Filho de agricultores, viu durante a vida os pais servirem à Igreja. Chegou a morar e trabalhar em Curitiba, mas acabou voltando para sua comunidade, onde se casou e foi pai de um casal de filhos. “Meu filho viveu 11 dias. No ano seguinte, nasceu minha filha, hoje com 36 anos. Quando a bebê tinha 21 dias, minha esposa teve uma parada cardíaca e faleceu. Depois disso tudo veio de novo a pergunta: o que Deus quer de mim? ”, comentava em uma entrevista, em 2019.


     Aos 12 anos tinha dito ao pai que queria ser missionário. Por falta de condições financeiras, acabou adiando o sonho. “Nas Missões Populares, conversei com um frei que pediu para que eu ficasse um ano e meio em casa refletindo sobre o que realmente queria. Se fosse realmente um chamado, a vontade iria continuar. A filha tinha um ano e meio quando iniciou a caminhada vocacional. Foi ordenado sacerdote em 15 de janeiro de 1994 por Dom Murilo Krieger, na Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, em Teixeira Soares. Seu lema sacerdotal era ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para Evangelizar os Pobres’ (Lucas 3,18).


     Entre 2000 e 2001 foi para Moçambique, em missão. Pegou malária 13 vezes. Dom Sergio lembrou que, nesse tempo, padre Noé implantou a Pastoral da Criança. “Lá, nós ficamos vários dias com ele e com um padre da Diocese de Guarapuava. Tinha um verdadeiro sentimento missionário”, frisou o bispo.


 


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